sábado, 1 de agosto de 2009

GUERRA DOS CABANOS - PANELAS


01- A morte de catana em punho, o ódio desenfreado, a miséria, campeavam noite e dia, dizimando gente indefesa, animais irracionais e tudo o mais que se fosse notado como meio de alimentação aos combatentes da famigerada "Guerra dos Cabanos" envolvendo Pernambuco e Alagoas, quer fossem lavouras de milho e feijão, mandioca, etc, quer fossem fruteiras e fntes de água. Perdurou isto desde 1832 ind até 1836, porém as consequências funestas dessa "Guerra" continuou por muitos anos depois, imperando o medo, as doenças e os efeitos psicológicos dentre os habitantes da vasta região do conflito.


No decorrer das batalhas os "Cabanos" alimentavam-se de frutas e mel silvestre, quando isto era possível, e os Soldados enviados ao combate, embrenhados nas matas, ficavam entregues muitas vezes à própria sorte, com fardas em precário estado, muitos até descalços, esfomeados e sendo atacados constantemente pelos escravos e índios sagazes e ferozes do Jacuípe em Alagoas,, sob a doutrinação dos líderes cabanos a exemplo de Vicente Ferreira de Paula, Antônio Timóteo de Andrade, João Timóteo, Manaoel Joaquim de Barros, Anselmo Lucena e outros, especiaalmente os líderes militares que fizeram estourar esse movimento revolucionário, como o Capitão-Mor Torres Galindo, que sendo de Vitória de Santo Antão, era proprietário em Bonito, mentor intelectual e participante direto da CABANADA. Vale dizer que Torres Galindo obteve apoio de vários Oficiais amigos e líderes políticos da região do conflito, que não recuaram em momento algum na "Guerra", a exemplo de um Antônio Timóteo de Andrade, quer fossem nos combates na Povoação de Panelas, quer no lugar "Cafundó" em Lagoa dos Gatos, em Jacuípe e em outras diversas localidades por onde o conflito se estendeu.


Um dos assuntos de elevada gravidade e maior destaque nessa terrível batalha, que ceifou tantas vidas e causou enormes prejuízos materiais, além de impedir o desenvolvimnto da região, foi no chamado "ATAQUE DO FEIJÃO" , referindo-se ao lugar "Sítio Feijão"" junto à hoje Vila de Cruzes, 2º Distrito de Panelas, onde os combates deixaram um registro funesto de mais de 100 mortos, tendo nessa batalha sido morto o líder cabano MANOEL TIMÓTEO DE ANDRADE, irmão do líder-maior ANTÔNIO TIMÓTEO DE ANDRADE, que só veio a falecer no ano de 1889 com a avançada idade de 100 anos, cuja "causa mortis" foi anasarca, ou seja edema generalizada, conforme Certidão d Óbito. Era Antôno Timóteo de Andrade casado com a Sra. Anna Maria da Conceição, vulgamente chamada por "Ana Felipa."


Tivemos a oportunidade de entrevistar um neto do Líder cabano João Timóteo de Andrade, isto no dia 13 de dzembro de 1977 (Dia consagrado à Santa Luzia pelos Católicos), chamado MARIANO ALEXANDRE DE AZEVEDO, filho de João Alexandre de Azevedo e de Rita Belarmina de Andrade, conhecida por "Ritinha" e filho de João Timóteo de Andrade e de Maria Belarmina de Andrade. Havia um outra filha de João Timóteo que era irmão do também Líder-cabano Antônio Timóteo de Andrade, de nome Belarmina Maria, apelidada de "Mariquinha".


02- O neto de João Timóteo a que nos reportamos acima, contou ter nascido no ano de 1890, àquela data (1977) estava com 87 anos de idade, com muita lucidez, disse-nos que ouviu sua mãe falar muito da participação do seu Avô na "Guerra dos Cabanos". Relatou-nos que certa vez João Timóteo de Andrade vivia bastante preocupado para descobrir um "olheiro" que avisava às Forças do Governo, as manobras e movimentos dos Cabanos, e com muito trabalho foi informado de que o traidor era um tal de Inspetor Trindade, que subia nu pé de angico que ficava sobre um morro, onde observava qualquer aglomeração ou passagem de pessoas, avisando aos Oficiais legalistas. Resolveu , pois, com um grupo de cabanos acabar com a tal espionagem e às escondidas armou um ardil inédito. Era por volta do meio-dia, Sol quente, escaldante de verão, mês de novembro de 1934, quando chegou ao local costumeiro, o espião, também chamado de "Olheiro da Regência", e quando subiu na dita árvore, ficando no cume, eis que num lance rápido como num assalto, vários cabanos juntamente com João Timóteo, todos armados gritaram: "FIQUE ONDE ESTÁ, SE DESCER A GENTE LHE ESQUARTEJA." E o "olheiro" tremendo e chorando, começou a pedir por socorro e que não o matassem, e muitas coisas mais nessas horas difíceis. Foi então que os Cabanos repetindo sempre a mesma ameaça, começaram a cortar com machado e foices o frondoso pé de angico, derrubando-o e abndonando sem socorrer o "lheiro", e no dia seguinte os Soldados legalsitas o encontraram com uma das pernas partidas e ouviram sua história, Por muitos anos, até morrer, ficou esse Inspetor Trindade apelidado por "Trindade Côxo".

Um comentário:

  1. Gostei das histórias sobre fatos que ocorreram nesta época remota. Preciso saber mais sobre o assunto gostaria de adquirir o livro seu.

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