segunda-feira, 30 de novembro de 2009

CONFLITO POLÍTICO EM BREJO DA MADRE DE DEUS

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Quando da assunção ao Poder em Pernambuco pelos integrantes da então União Democrática Nacional - UDN, com a eleição do Engenheiro Cid Feijó Sampaio ao Governo do Estado de Pernambuco no ano de 1958, tendo tomado posse no dia 31 de janeiro de 1959, muitos Municípios do Interior passaram a ter uma vida política completamente estranha, uma vez que os partidários do então Partido Social Democrático - PSD, não conheciam o outro lado da política, isto é, nunca estiveram "debaixo", pois pertencer a UDN era mesmo um sacrifício muito penoso, coisa de idealista.

No Brejo da Madre de Deus era líder e chefe político do Partido do Brigadeiro Eduardo Gomes(UDN) o Sr. Abílio Telmo da Rocha Barros, descendente de português casado com uma brejense da tradicional família Araújo ( sobrinha do fundador das "Casas José Araújo). Homem generoso, de coração flexível até para com os seus maus ferrenhos adversários. Do outro lado, chefiando o PSD no Brejo, desde a redemocratização do País, estava o Sr. Benedito de Souza Dantas, Tabelião Público, homem inteligente, corajoso, sério e honesto, vindo do Município de Flôres, no Alto Sertão, onde militou também como político pessedista. Ainda havia na década de 50 os integrantes do Partido Trabalhista Brasileiro - PTB, que eram liderados pelo Sr. Severino Salustiano de Farias, chamado apenas por Farias, que era Chefe do Posto de Monta do Estado em Brejo. Homem calmo, diligente e capaz.

O clima político na década de 50 esteve muito "quente", pois, mesmo sendo genro do chefe udenista Abílio Telmo, o então jovem Bacharel em Direito, Antônio de Souza Dantas, mais conhecido pelo apelido de "Antonino", filho este, do chefe pessedista Benedito de Souza Dantas, havia sido eleito Prefeito do Brejo da Madre de deus, e eram ferrenhos adversários , tendo no entanto, a chegarem ao diálogo e a compreensão por alguns meses. Aconteceu que, face a discordância surgida com a não aceitação pelo Prefeito Antonino Dantas, de considerar através de Lei, uma área de terra do Município como "Travessão", isto é, lugar onde não se podia criar gado bovino sem a existência de cercas que protegessem as lavouras de milho, feijão, etc.

Com o pensamento contrário ao do sogro, o Prefeito passou a receber muitas pressões políticas dele, pois Abílio Telmo era Vereador e Presidente da Câmara Municipal. A UDN contava apenas com dois Vereadores: José Cupertino de Souza ("José Candu) e o próprio Abílio Telmo. Já o Partido Trabalhista Brasileiro - PTB, contava com três Vereadores: Severino Salustiano de Farias, João Bernardo Torres e Manoel Cassiano da Silva, e o Partido Social Democrático -PSD contava com quatro Vereadores: José Higino de Souza, José Nunes de Souza, Abel Rodrigues de Freitas e o seu irmão Orestes Rodrigues de Freitas. Os Vereadores do PTB liderados pelo Vereador Severino Salustiano de Farias, aliaram-se aos Vereadores udenistas e assim, passaram a ser maioria no Legislativo Municipal do Brejo da Madre de Deus, e consequentemente, oposição sistemática ao Prefeito Antonino Dantas. Todos as Mensagens, Projetos, pedidos de verbas com abetura de créditos suplementares, etc. solicitados pelo Prefeito eram derrotados, pois as votações sempre apresentavam os seguintes resultados: 4 a favor e 4 contra, e o Presidente da Câmara que era Abílio Telmo, dava o seu voto de minerva derrotando, é lógico, os pedidos do Chefe do Poder Executivo Municipal que por sinal era seu genro. Foi aí, que, no ano de 1953, as coisas ficaram feias no cenário político do Brejo. O Dr. Antonino Dantas por sua vez, suspendeu a coleta de lixo público na cidade, até mesmo o lixo resultante da feira pública do sábado, acumulando-se nas ruas principais e ninguém se atreveria a tentar retirá-lo, mesmo a título de colaboração. A cidade ficou triste e feia.Ninguém dava um passo atrás para solucionar o impasse. As pressões aumetavam de lado a lado. Depois do lixo, surgiu a escuridão. O Prefeito não dispunha de verba orçamentária para comprar óleo diesel para o Motor que fornecia energia elétrica a toda a cidade, tanto a pública como a residencial. As obras paradas, o lixo aos montes nas ruas, onde ajuventude fazia queimar pedaços de pneus velhos de carros, e vez por outra ateavam fogo nos montes de lixo. Era um quadro desolador para os habitantes do Município.

Esperava-se a qualquer momento, coisas piores, brigas e mortes, pois não havia nenhum plano para um apaziguamento das partes conflitantes. E como se previa, o pior aconteceu na tarde do dia 12 de fevereiro de 1953, no recinto da Câmara Municipal, onde acirradas discussões, motivadas inicialmente quando o Presidente da Câmara Abílio Telmo passou a presidência ao Vice-Presidente Vereador Oreste Rodrigues de Freitas, indo para o Plenário, tendo o Vereador Oreste de Freitas se recusado de assumir a Presidência, sob a alegação de que se tratava de um "golpe", pois se assim acontecesse, a bancada do PSD ficaria desfalcada do direito de um voto, pois àquela altura, muitos políticos da cúpula em Brejo, sabiam os planos de ambas as facções, isto é, situação e oposição. A bancada do PSD era composta por 4 Vereadores, precisando apenas de mais um, esse um, já estava certado com um Vereador do PTB que votaria no PSD, isto porque sendo este proprietário de uma panificadora no Brejo, precisava da concessão de uma "QUOTA" para adquirir farinha de trigo para o seu comércio, pois, a farinha com que vinha industrializando era comprada no "câmbio negro", isto é, através de panificadores que obtinham elevadas Quotas, e as vendiam por alto preço a donos de padarias do Interior do Estado.

A Quota do Vereador que votaria no PSD já estava arrumada no Recife, além de uma ajuda financeira, era o que se comentava em toda a cidade, nos meios políticos notadamente. Mas os sagazes políticos da UDN e PTB armaram um contra-golpe e funcionou. Conseguiram que o mesmo Vereador fosse ao Recife para conseguir a sonhada Quota de farinha de trigo, que já havia conseguido com os pessedistas e não podia revelar aos udenistas. No Recife, armaram um plano, e mandaram (os udenistas) que o Vereador assinasse vários documentos e em meio a estes uma folha em branco, que foi posteriormente datilografada com um pedido de renúncia do dito Vereador, e com firma reconhecida. Era por tudo isto que o Presidente da Câmara Vereador Abílio Telmo, queria passar a presidência para o Vereador Vice-Presidente Oreste de Freitas, que se tivesse aceito perderia a bancada pessidista um voto, ficando a Oposição com 4 Vereadores em Plenário e a Situação com 3, pois um seria afastado logo que o Vice-Presidente assumisse.

Porém, o Vereador Orestes de Freitas não quís assumir, voltando o Vereador Abílio Telmo à presidência, foi quando o Vereador comprometido foi afastado do cargo com a apresentação do pedido de renúncia, e o Vereador Severino Salustiano de Farias lendo dispositivo do Regimento Interno, que embora inédito na palarmentarismo brasileiro, obrigava ao Vereador Vice-Presidente da Câmara, que quando reusasse assunir a Presidência, teria que se afastar da Reunião da Câmara. Os ânimos ficaram exaltados e as ofensas morais e f´sicas surgiram, quando o Vereador Abel Rodrigues de Freitas, irmão do Vereador Orestes, agrediu ao Vereador petebista Severino Salustiano de Farias (Farias como era chamado), puxando-lhe os cabelos, e este esbora um homem reconhecidamente pacato, revidou com um tiro certeiro de revólver 38 na fronte do Vereador Abel, que teve morte instatânea. Em seguida foram deflagrados outros disparos de armas de fogo, saindo ferido o Vereador Abílio Telmo e minutos depois o Vereador Severino Farias fora preso já fora dorecinto da Câmara no Consultório Médico do Dr. Jaur cavalcanti, pelo Cabo de Polícia chamado Cícero e o Soldado Genésio, só se entregando depois que recebeu sob palavra de honra de que não seria linchado, pois do contrário, preferia lutar e morrer sem covardia.

Foi em seguida conduzido à Cadeia Pública local, e ainda no percurso recebeu apoio de um cunhado chamado Joel Campos, que inclusive chegou a empurar um Soldado que estava querendo maltratar fisicamente Farias.

Após a morte do Vereador Abel de Freitas o Juiz de Direito da Comarca, Dr. José Nery de Souza, pessoalmente estabeleceu a ordem, garantindo a integridade f´sica do Vereador Farias e tomando as medidas preventivas e convenientes.

Logo depois de haver sido vitimado o seu irmão, o Vereador Orestes de Freitas, estava tão atribulado que de revólver à mão, não quis fazer uso do mesmo, preferindo entregá-lo ao Sr. Enoch Cordeiro, que o levou para casa, entregando-o depois.

O Vereador José Higino de Souza, que tendo usado no tiroteio a sua arma (Parabellum) contra Farias, quando este saía da Câmara para se homisiar no Consultório Médico do Dr. Jair que ficava anexo ao prédio da Câmarae que graças a uma topada que Farias levou no exato momento, e que lhe salvou a vida, deu a impressão ao Vereador José Higino de qe havia alvejado mortalmente a Farias, tendo saído em desabalada carreira, a fim de evitar serpreso em flagrante, indo parar num morro que fica perto da igreja Matriz de São José. Mas como estava de terno branco, muitas pessoas puderam lhe ver amparado por espessas árvores pelo contraste das côres verde e branco da roupa. Um amigo dele foi lhe chamar dizendo-lhe que a queda de Farias foi motivada por um tropêço e não por ferimento à bala. José Higino tranquilizou-se e foi para a casa do Chefe pessedista Sr. Benedito de Souza Dantas.

Outros fatos que merece ser registrado entre vários, a exemplo do corte que o Vereador Manoel Cassiano levou quando se dirigia para a residência do Vereador Farias, esse pequeno corte foi numa pedreira que havia por trás do prédio da Câmara e ele na hora pensou que estivesse baleado, mas o Médico constatou que não havia projétil nenhum. Os Vereadores José Nunes e João Bernardo, ambos residentes em Fazenda Nova, saindo pelos fundos do prédio da Câmara, que se localizava na Rua Da Liberdade, defronte ao prédio que servia de residência de Coletor Estadual, hoje Exator) a fim de que não fossem atingidos, resolveram pular o muro para a casa vizinha e caíram encima de um "galinheiro". Já o Prefeito Antonino Dantas logo após a triste ocorrência, de revólver em punho se dirigiu à Câmara e a sua genitora indo acalmá-lo e trazê-lo de volt, ao se aproximar, este sem que a tivesse notado, deu um tiro para cima, e dona Adelaide teve um síncope, um desmaio, e algumas pessoas afastadas pensaram que ela tivesse sido atingida pela arma deflagada. Foi um inferno aquela tarde de 12 de fevereiro de 1953. O Sargento Abel Wanderley, Delegado de Polícia em Brejo, logo que tomou ciência dos fatos, saiu com rifle calibre 44 (Winchester) à mão e calçado apenas de meias, pois esta descansando em sua residência. Enquanto isto, o Tenente Domingos Cururu, como era conhecido, tido como homem valente, especialmente pelo comando que exerceu de "Volantes Policiais" no tempo de combate aos cangaceiros e ladrões de cavalos, morava numa propriedade rural adjacente à cidade do Brejo, chamada "Cacimba de Pedro", e logo que lhe avisaram rumou para a casa da esposa de Farias, montado a cavalo e com rifles de lado. Era um grande amigo de Farias. Horas depois, chegava ao Brejo um reforço policial sob o Comando do Major Natanael Carvalho, então Delegado de Polícia de Caruaru.

Depois, para segurança do preso, Farias foi transportado para a Cadeia de Caruaru. O sepultamento do Vereador Abel de Freitas foi realizado no Distrito de Pesquira chamado Mutuca, onde o mesmo era proprietário e pecuarista e líder político.

Tendo sidoimpronunciado sob a alegação de não ter havido prova de autoria do disparo que matou Abel, o Vereador Farias foi residir no Rio de Janeiro, onde chegou a exercer altas funções da então SUPRA, órgão do Ministério da Agricultura no Governo João Goulart, não voltando mais ao Brejo da Madre de Deus. Muitas vezes quando queria mandar mensagens aos amigos, fazia Farias através de cartões postais com gravações magnéticas das mensagens, muitas das quais endereçadas ao seu amigo Amaury de barros Correia, farmacêutico em Brejo e proprietário da Farmácia São José.

Depois de tudo isto, a solução apareceu com o Dr. Antonino Dantas renunciando ao cargo de Prefeito, e submetendo-se à Concurso Público, tendo obtido êxito e nomeado Juiz de Direito, vndo falecer muitos anos depois como Magistrado na Cidade do Recife.

1º NÚMERO DE "O LEGISLADOR" DA CÂMARA DE CARUARU




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No mês de maio de 1985, há precisamente 24 anos passados, foi editado e circulou gratuitamente o Informativo da Câmara Municipal de Caruaru "O LEGISLADOR" como se verifica na foto acima. O jornalzinho contém 4 páginas e perdura até os dias de hoje. Participei da sua elaboração e escrevi um artigo que se encontra à página de número 3, sob o título: "Caruaru de Vila à Cidade".

JORNAL REGIONAL - BEZERROS - 1º e 2ª EDIÇÃO



















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Há 30 anos passados, mais precisamente no mês de outubro de 1979, foi editado e circulou o primeiro número do JORNAL REGIONAL localizado na cidade dos Bezerros, neste Estado, cujo Redação e Direção ficavam à Rua da Matriz, 47, 1º andar, Sala 1, sob a direção geral do Jornalista Fernando de Andrade Lima. Foi um Jornal informativo, imparcial e elaborado com muita competência, merecendo ser lembrado e elogiado. Valei a pena, mas é uma pena não ter permanecido.

FRAGMENTOS PARA A HISTÓRIA DE QUIPAPÁ - 03



No ano de 1947 o então Governador de Pernambuco, Dr. Otávio Correia de Araújo, nomeou Prefeito de Quipapá o Sr. Gustavo Luigi, que permaneceu até o ano de 1948. Contava àquela data com 46 anos de idade, pois Gustavo Luigi nascera no dia 27 de novembro de 1901. Disse-nos o citado cidadão que encontrou a situação financeira da Prefeitura de Quipapá em estado de miséria: muitos "vales" e em espécie apenas "dois cruzados".
Gustavo Luigi morava anteriormente com os seus pais na povoação de Queimadas, adjacente a hoje cidade de Jurema, ambas na época jurisdicionadas ao Município de Quipapá. O pai de Gustavo Luigi era o italiano Francesco Luigi Lasalvia, napolitano, e sua mãe Laurinda Vieira da Silva, nascida em São Luiz de Quitunde, nas Alagoas, sendo filha de portugueses. Contou-nos Gustavo Luigi que em Queimadas (ex-Santo Antônio das Queimadas) os seus pais católicos fervorosos mandavam celebrar Missa pelos Vigários de Canhotinho, que os hospedavam em sua casa, recordando bem o Padre José Cabral, de quem o então famoso Advogado e Jornalista Pedro Afonso de Medeiros (falecido em Palmares onde residia) era auxiliar nos ofícios religiosos realizados.
Como Prefeito nomeado, Gustavo Luigi organizou as finanças municipais, melhorou a rede de ensino primário, promoveu festas religiosas, notadamente apoiando as festas de Nossa Senhora da Conceição e São Sebastião, no entanto, não lhe foi possível fazer algo mais, face ao pequeno espaço de tempo em que esteve à frente do Governo Municipal e os parcos recursos financeiros. Deu prova de bom administrador e tanto é assim que exerceu outros cargos públicos como Delegado de Polícia e Gerente da Cooperativa entre outros.
O primeirto veículo motorizado (automóvel) chegado à Quipapá por uma pessoa ali residente, foi de Gustavo Luigi, no ano de 1926, comprado na firma Oscar Amorim pela importância de 8.200$000 (oito contos e duzentos mil réis) e o motorista tinha o apelido de "Fon-Fon", originado do som emitido pela buzina do carro, que era um Ford V-8, que ficou sendo conhecido por "Ford de Bigode", por causa do pára-choque em forma de um bigode.
Quando Gustavo Luigi foi comprar esse carro no Recife quem o trouxe foi um seu amigo de nome Veloso, que além da idade bastante avançada, não sabia passar marcha à ré, tendo levado três dias para chegar do Recife a Quipapá, pois apareceu na viagem um defeito no motor do carro e por mais que se usasse a manivela (a chamada "manicaca") não funcionava e ainda por cima o Veloso havia tomado uma estrada errada que dava acesso a Usina Tiúma. A felicidade foi que Gustavo Luigi encontrou um mecânico que entendia do assunto, o que não era fácil àquela época e consertou o veículo, que finalmente três dias depois da saída do Recife, chegava às 10 horas do dia 25 de agosto de 1926. Quipapá ficou em festa com a chegada do seu primeiro automóvel e a maioria da população não mais dormiu a noite toda para saber detalhes.
Mas o carro foi o pior negócio que Gustavo Luigi havia feito, pois, tentando aprender a dirigir passou por muitos perigos e depois aconteceu uma capotada, o que o desgostou, tendo enviado para Panelas a fim de consertá-lo e vendê-lo por qualquer preço. Foi aí que o Major Nicolau Cordeiro, pai de Epaminondas Cordeiro de Mendonça que tinha uma pequena fábrica de bebidas em Quipapá, se dispôs a comprar o Ford-V-8 de Gustavo Luigi que o vendeu ao Major mencionado por UM CONTO DE RÉIS, assim mesmo fiado, isto é, em dois pagamentos de 500$000 (Quinhentos mil réis) para trinta e sessenta dias. O carro quando novo havia custado em Oscar Amorim a soma de 8.200$000 (Oito contos e duzentos mil réis) e ele Gustavo já havia gasto muito com o dito automóvel. Foi um péssimo negócio para o primeiro comprador, no entanto, estava compensado em ter sido ele o primeiro dono de automóvel em Quipapá.
Gustavo Luigi nos anos de 1918 e 1919 (nasceu no ano de 1901) foi empregado em Bebedouro (hoje Agrestina), trabalhando como "Caixeiro" na Padaria e Mercearia de dona Emília Pinheiro de Barros. Em Setembro de 1979 quando estivemos fazendo esta matéria, ele tinha seus filhos formados (Médico e Professoras) e administrava seus bens e vivia satisfeito.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

REVOLUÇÃO DE 1930 - SALVE JUAREZ TÁVORA


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Quando eclodiu o movimento revolucionário tenentista de 1930 tendo como um dos líderes militares no Nordeste o então oficial (Tenente do Exército) Juarez Távora, contra a assunção de Júlio Prestes à Presidência da República para a qual havia sido eleito, os nordestinos, especialmente os pernambucanos fizeram a composição da letra de um Hino e com música, conforme se observa a transcrição do mesmo acima, enaltecendo o Tenente Juarez Távora, valendo ressaltar que o movimento revolucionário foi vitorioso e Getúlio Vargas assumiu a Chefia do Governo do Brasil. O nome completo de JUarez, era JUAREZ DO NASCIMENTO FERNANDES TÁVORA, tendo nascido no dia 14 de janeiro de 1898 e falecido em 18 de julho de 1975. Era carioca de Jaguaribemirim.

RAFAEL BARROS - E SUAS BELAS POESIAS
























































Estamos transcrevendo mais Poesias de Rafael Barros, numa homenagem "Post-mortem":

RAFAEL BARROS - UM POETA SENTIMENTAL

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Rafael dos Santos Barros, panelense autêntico, Bacharel em Direito, Auditor da Fazenda Estadual, era acima de tudo isto, um POETA que distribuia Paz, Amor e fidelidade às suas raízes. Simples, humilde, educadíssimo, um ser humano maravilhoso. Rafael foi recentemente chamado à Mansão Celeste, deixando-nos com saudades, mas onde ele se encontra, certamente, está escrevendo suas POESIAS sentimentais, e muito feliz, pois está não está sentindo dores de qualquer enfermidade, nem fome e nem sede. E foi por isto que resolvemos transcrever alguns dos seus poemas neste postagem.







quarta-feira, 25 de novembro de 2009

MINISTRO FERNANDO LYRA - UM NOVO TEMPO















EQUIPE DO MINISTRO FERNANDO LYRA








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Voltamos a inserir em nosso Blog registros dos mais importantes no que concerne à plenitude democrática no Brasil, após o regime ditatorial implantado no ano de 1964, com a assunção do então Deputado Federal Fernando Lyra no Ministério da Justiça.

Estamos nesta postagem transcrevendo e reproduzindo momentos inesquecíveis, porque são históricos, constante na EDIÇÃO DOCUMENTO do Ministério da Justiça do Brasil, isto em 1985. São reminiscências que valem a pena, pois um novo tempo de liberdade de expressão surgiu naquele momento histórico para a Democracia brasileira, e o Ministro Fernando Lyra entrou para a História Política do País.

RUBENS LEMOS - PROFESSOR E EX-PREFEITO

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No início do ano de 1985 o então Professor e Pesquisador e grande colaborador da História de Altinho, conforme depoimento do inolvidável escritor Nelson Barbalho, Professor Rubens Lemos, foi homenageado pela Câmara Municipal de Ibirajuba-PE, pelo fato de quando o mesmo exerceu o cargo de Prefeito do Município de Altinho e Ibirajuba era Vila com o nome de Gameleira, o aludido homem público realizou várias obras públicas naquela localidade. Na foto divisamos a figura de Rubens Lemos tendo atrás a Bandeiro de Pernambuco, e ao seu lado direito o Prefeito de Ibirajuba, Pedro Evangelista, e à sua esquerda o autor deste Blog fazendo a leitura do Curriculum Vitae do homenageado na condição de Assessor da referida Câmara Municipal. A Reunião solene foi presidida pelo então Vereador Milton Leite que tem ao seu lado à Mesa o Exmo. Sr. Juiz de Direito da Comarca. Familiares do homenageado e Vereadores se fizeram presentes à solenidade,

O ex-Prefeito Rubens Lemos, de saudosa memória, era um ser humano maravilhoso. Homem culto, educado e bom na expressão legítima da palavra. Essa é uma singela homenagem que lhe presto "Post-mortem".

terça-feira, 24 de novembro de 2009

RELÓGIO PRIMITIVO DO SÉCULO XVIII


Clique sobre a foto para ampliar as legendas (extraído do livreto: "III- Uma breve história do Tempo." *Squibb).
"Mesmo após a descoberta do relógio atômico, desde o início da história da medição do tempo, com o advento do relógio de sol, o homem continua buscando novas formas ou instrumentos capazes de medir o tempo com precisão e praticidade...
Embora o relógio de sol tenha possibilitado o passo inicial da corrida, sendo utilizado por vários séculos, era cada vez mais clara a necessidade de um marcador de tempo que não estivesse restrito aos dias ensolarados. Afinal, muitas vezes o astro-rei permanecia encoberto. Além disso, durante as noites era impossível qualquer marcação de tempo. Logo o hoem tratou de procurar desenvolver um novo instrumento que substituisse, com vantagens, os relógios de sol.
Foi então que se lançoi mão de uma outra força da natureza, presente em todos os momentos, independente de quaisquer fatores: a força da gravidade. O princípio é bastante simples: o escoamento de um líquido de um reservatório com um pequeno orifício na base, para outro reservatório em sua parte inferior.
A regularidade e a cadência deste escoamento contínuo e facilmente regulável pode ser comparada com a marcha regular do tempo. Estava inventado o relógio hidráulico ou relógio de água. Mais tarde, ao ser conhecido e utilizado pelos gregos este instrumento recebeu um novo nome: CLEPSIDRA, do grego Cleps (reter) e hidra (água). (transcrito do livreto acima mencionado).

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

CÂMARA DO BREJO PEDE AJUDA DA PROVÍNCIA

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Consta em Livro de Registro de Correspondências recebidas e expedidas do então Conselho Municipal do Brejo da Madre de Deus da também então Província de Pernambuco, cujo livro tem um Termo de Abertura datado de 9 de fevereiro de 1857 e assinado por Frederico Cordeiro de Carvalho Mergulhão, um Ofício dirigido ao Exmo. Sr. Dr. Benvenuto Augusto de Magalhães Taques, 26º Presidente da Província, nomeado que foi por Carta Imperial de 03 de setembro de 1857, com registro à pagina de nº 6 do dito livro, nos seguintes termos:

" Ilmo. Snr. :

He do nosso dever, levar ao conhecimento de Vª Exª. as necessidades mais salientes do Município, a fim de que V. Exa. as leve igualmente ao conhecimento da Digníssima Assembléia Legislativa Provincial, de quem esposa esta Câmra o devido empenho, e mais prompta providência.

O Patrimônio desta Câmra além do que está instituído pela lei, consta de um simples prédio, que outrohora servio de Cadeia, acha-se em estado ruinoso, de forma que, não rende anualmente o que devêra render, pelo motivo indicado, e que pela falta de meios não póde ser reparado.

A Cadeia desta Villa com quanto esteja plantada em hum terreno saudavel, e bem construída, todavia precisa de muitos reparos entre os quais são dignos de notas a calçada em redor do ediffício, que a priva de receber águas na estação invernosa, que póde amollecer os alicerces com o andar do tempo, e inutilizar hum ediffício que com verdade se póde chamar o melhor da Villa.

O conserto nas lethreiras, que sendo collocadas nas mesmas paredes do ediffício, estão continuamente exhalando vapores mephíticos, que não só contagiam aos ifelizes, que têm as desgraças d'alli habitar, senão mesmo os habitantes da Villa, que delles participam pella ventilação do ar.

Esta Villa, abunda de meninas, que por falta de professora, como outrahora teve, deixão de ser instruídas nos primeiros hellementos, quer de leitura, quer d escripturação, quer de aritmethica, quer de quem lhe ensina a diversidade de costura, que seus pais, de todo lhe não póde prestar huma tão bem entendida e necessária instrucção pella falta de meios.

A terrível secca, que aperta de dous annos tem soffrido, e continua a soffrer este Município a escácia de víveres de primeira necessidade, o altíssimo preço pelo que se vendem, alguns que apparecem a summa abundancia de probresa que existe no interior, interior desta Villa; tudo annuncia huma fome horrorosa, que reduzirá ao estado de morte, mesmo ainda maior do que se fosse o Cólera em o anno retrazado. He de esperar, pois que assim como o Governo da Província, compadecido de semelhante mal que hora assola os Certões da Província do Ceará, enviou pata alli embarcações carregadas de mantementos, de melhor grado, o fará com os seus, com os Provicianos, que apezar de sua pobre contribuição seus pequenos contigentes para o Thesouro Nacional, V, Exa. de commum acordo com a Exma. Assembléia Provincial, dando huma completa expanção a philantropia e caridade para com os miseráveis que já lutam com a indigência e mizéria, e socorrão como bem lhes parecer. Paço da Câmra Municipal da Villa do Brejo em Sessão Ordinária de 23 de janeiro de 1858."

ANTIGOS VIGÁRIOS E PÁROCOS EM PERNAMBUCO


Homenagem "Post-mortem" ao Cônego Benigo Lyra, que teve grande participação no desenvolvimento sócio-educacional de Pernambuco, destacando-se em Garanhuns e Brejo da Madre de Deus, onde foi bárbaramente assassinado por um seu empregado no início da década de 40 do Século passado. Era Médico e portador de invejável cultura. Era alagoano de tradicional família empresarial (Usina Serra Grande).
O Cônego Benigno Pereira de Lyra era também Teólogo e havia sido ordenado Sacerdote da Igreja Católica em Roma. Possuia uma "Fazenda" no lugar Barra do Farias, adjacente ao Sítio Tabocas, no Brejo da Madre de Deus. Por questões surgidas entre um seu "morador", que foi mal informado pela esposa quanto ao emprego de um medicamento que administrara a um filho menor deste, foi covardemente assassinado à faca-peixeira, no dia 24 de agosto de 1941, na referida propriedae. O criminoso evadiu-se, mas foi preso no dia seguinte no lugar Sítio Catolé, perto do então Povoado de Mandaçaia (hoje Vila) por um "Inspetor de Polícia" chamado por Cândido. Os restos mortais do Cônego Lyra encontram-se no Cemitério Santo Amaro no Recife, onde foi sepultado.


Estamos nesta postagem relacionando nomes e datas de vários Sacerdotes Católicos que exerceram funções eclesiásticas como Vigários ou Párocos em Municípios pernambucanos, compreendendo o período Imperial e o Republicano, ou seja como Província e Estado.


AGRESTINA: 1888 - Padre Manoel Zacarias;

ÁGUA PRETA- 1809 - Padre Sebastião Peixoto Guimarães

ÁGUAS BELAS - 1766 - Padre José Lopes da Cunha

ALAGOINHA - 1863 - Frei Mathias Teves

ALTINHO - 1837 - Padre Agostinho Godoy e Vasconcelos

ARARIPINA - 1923 - Padre Luiz Gonzaga Kerhle

BARREIROS - 1877 - Padre Inácio Xavier da Costa

BELÉM DE SÃO Fco. - 1839 - Padre Francisco Correia

BEZERROS - 1805 - Padre Antônio Jácome Bezerra

BODOCÓ - 1859 - Padre José Modesto Correia de Brito

BOM CONSELHO - 1837 - Padre João Clemente da Rocha

BOM JARDIM - 1757 - Padre José Inácio Teixeira

BONITO - 1839 - Padre Manuel de Mello Falcão Menezes

BREJO M. DE DEUS - 1797 - Padre Manuel José d'Assumpção

BUÍQUE - 1792 - Padre João Lourenço Paes Loulou

CABO Sto. AGOSTINHO - 1622 - Padre Matheus de Souza Uchôa

CABROBÓ - 1762 - Padre Gonçalo Coelho de Lemos

CANHOTINHO - 1888 - Padre Manuel C. D'Assís Bezerra Menezes

CARUARU - 1849 - Padre Antônio Jorge Guerra

CORTÊS - 1947 - Padre João Eduardo Tavares

GAMELEIRA - 1867 - Padre Augusto Franklin

GARANHUNS- 1855 - Padre Nemézio de São João Gualberto

GLÓRIA DE GOITÁ - 1837 - Padre Joaquim Inácio Gonçalves da Luz

IGARASSU - 1555 - Frei Manuel Calado

IPOJUCA - 1608 - Padre Sebastião Rodrigues

ITAPETIM - 1927 - Padre João Leite de Andrade

JUREMA - 1923 -Padre Humbeto Limpens

LAJEDO - 1841 - Padre Artur Silvestre da Luz

LIMOEIRO - 1779 - Padre Poncino Coelho

NAZARÉ DA MATA - 1824 - Padre Martinho Caetano Pegado

OURICURI - 1844 - Padre Francisco Pedro da Silva

PANELAS - 1866- Padre Antônio Malaquias R. de Vasconcelos

PEDRA - 1863 - Padre Nuno Teodoro da Costa

RIACHO DAS ALMAS - 1945 - Padre Antônio Faustino da Costa

SANTA CRUZ DO CAPIB. - 1922 - Padre José Apolinário Martins

SANTA Ma. DA BOA VISTA- 1763 - Padre Ezequiel Gameiro

SÃO CAETANO - 1844 - Padre Antônio Jorge Guerra

SÃO JOSÉ DO BELMONTE- 1873 - Padre Manuel Tomaz Pereira de Lima

SÃO JOSÉ DO EGITO - 1872 - Padre Manuel Gomes da Fonsêca

SÃO LOURENÇO DA MATA- 1645 - Padre Gaspar de Almeida Vieira

SÃO VICENTE FÉRRER - 1864 - Padre André Cursino de Araújo

SERINHAÉM - 1621 - Padre Simão Pita Calheiros

SURUBIM - 1881 - Padre José Francisco Borges

TACARATU - 1761 - Padre Dr. Antônio Teixeira de Lima

TRIUNFO - 1870 - Padre João Evangelista dos Santos Lima

VERTENTES - 1883 - Padre Manoel da Rocha Carvalho

VICÊNCIA - 1882 - Padre João Donato Barroco


Nota: brevemente estaremos inserindo os nomes de outros Muncípios pernambucanos com os respectivos Vigários e Páracos antigos, na sua maioria os primeiros da Freguesia ou Paróquia.

RUAS ANTIGAS E 1º MEDICO DE CARUARU NO SÉCULO XIX

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Construção datada de 1808 em Salvador-Bahia. onde formou-se o possível 1º Médico de Caruaru, oficialmente, o Dr. José Martins Ferreira, natural de Penedo-Alagoas, isto em 15 de abril de 1857.




Conforme consta em livros existentes no Arquivo da Câmara Municipal de Vereadores de Caruaru, Pernambuco, no íltimo quartel do Século XIX, existiam várias Ruas na hoje "Capital do Agreste" com nomes interessantes, a exeplo da "Rua da Palha", onde o Sr. Luiz Pereira de mello devidamente autorizado pela Câmara Municipal (Conselho Municipal na então Província de Pernambuco) obtendo licença para se estabelecer com uma casa comercial de molhados, cuja permissão data de 17 de julho de 1883.

Por outro lado João de Freitas Torres, conseguiu licença para reedificar uma casa situada na Rua do Imperador, e Rodopiano Florêncio Irmão, estabeleceu-se com negócio de secos e molhados, na Rua da Imperatriz, Nº 5.

Existiam ainda Rua da Baixinha, Rua Visconde de Pelotas, Rua Imperial e Rua da Alegria.

A Câmara Municipal de Caruaru (Conselho Municipal) controlava tudo no que se referisse às licenças requeridas, não só no que correspondia às edificações ou estabelecimentos de casas comerciais em Caruaru, mas também no que se referisse ao exercício dos profissionais liberais, tanto que o Médico Dr. José Martins Ferreira, teve que registrar o seu Diploma quando do pedido de licença para exercer as suas atvidades profissionais em Caruaru, cujo documento está assim transcrito:

"Império do Brasil - Escola de Medicina da Bahia - Diploma de Doutor em Medicina = Faculdade de Medicina da Bahia - Diploma de Doutor em Medicina = A Faculdade de Medicina da Bahia, em atenção aos estudos regulares feitos pelo Sr. José Martins Ferreira, filho de João martins Ferreira, natural da cidade do Penedo, Província das Alagoas, com trinta anos de idade, nos diversos ramos do Curso Médico desta Escola, e aos conhecimentos de que dey provas nos exames, pelas quais passou, conferiu no dia 23 de novembro de 1856, no Grau de Doutor em Medicina, e para que seja como tal reconhecido, e possa exercer livremente no Império a sua profissão, e gozar dos direitos que lhe compete lhe dar este Diploma, assinado tão somente pelo pelo Diretor e Secretário e selado no Sêlo Grande da Faculdade. Feito na Bahia, aos 15 de abril de 1857. Eu, Prudêncio José de Souza Brito Cotegipe- Secretário, subscrevi."

Possivelmente, esse tenha sido o primeiro Médico a estabelecer-se oficlamente em Caruaru, o que ocorreu no Século XIX.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

BANDEIRA DO MUNICÍPIO DE CARUARU - PE


A Bandeira do Município de Caruaru, Estado de Pernambuco, foi criada pelo Decreto Nº 09/79, de 13 de maio de 1972, e assim redigido:


"Art. 1º - É criada a Bandeira do Município de Caruaru e instituída como seu símbolo oficial.


Art. 2º - A Bandeira de Caruaru é um retângulo em fundo tricolor - verde, branco e vermelho - cujo o comprimento é uma vez e meia (1/12) a largura, como se descreve: três (3) listras horizontais, sendo dois quatros (2/4) do retângulo em verde-esmeralda na parte inferior - símbolo da fraternidade do solo;um quarto (1/4) branco, símbolo dos ideais pacifistas; um quarto (1/4) vermelho símbolo da altivez do seu povo; no centro do retâmgulo está um escudo clássico em faces iguais com o bico na ponta esmaltado e tercido em barra cuja largura mede um quarto (1/4) do comprimento da Bandeira,e seu comprimento um terço (1/3). As peças nobres de blau (azul), à dextra, representam a lealdade do povo, com um sol flamejante, significando majestade, fama e riqueza da terra; as jalne (amarela-ouro), a barra, significando nobreza e magnanimidade, tendo ao centro uma cruz latina de côr vermelha, sómbolo da Fé Cristã e da catequese dos silvícolas da região; de goles (vermelho) a sinexira, significando a coragem e ousadia do Povo, onde está um braço com ramos de avelozes representando a tenacidade de José Rodrigues de Jesus, fundador da cidade. O escudo é encimado de uma fortaleza de jalne (amarelo) em forma de coroa, símbolo da reistência que provocou o progresso da Região e a soberania que lhe deu fama de Princesa do Agreste.

Art. 3º - O brasão de Armas Municipais é o escudo guarnecido de uma listra galne que se desenrola com as datas 1848 e 1857, ladeando a palavra Caruaru, por lembrarem as datas da criação do Município e sua elevação à categoria de cidade, respectivamente, tendo em cada extremidade um ramo de loiro granjeado nas batalhas, sócio-econômicas pelo desenvolvimento do solo Pátrio.

Art. 4º - A Bandeira de Caruaru será hasteada em todo território Municipal nos momentos de festas e de dor, e fora dela quando o represente.

Art. 5º - Este Decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.


Prefeitura Municipal de Caruaru, Estado de Pernambuco, em 13 de maio de 1972


Anastácio Rodrigues - Prefeito Municipal."

FRAGMENTOS DA HISTÓRIA DE QUIPAPÁ - 02


Matrículas dos Guardas Nacionais:

"Matrículas dos Guardas Nacionais alistados para o Serviço da Reserva pelo Conselho de Qualificação na Parochia de Nossa Senhora da Conceição de Quipapá, do Município de São Bento, Comarca de Caruaru, em virtude da Lei Nº 602 de 19 de setembro e Instrução de 25 de outubro de 1850." Isto é o que consta do Termo de Abertura de livro próprio, assinado pelo Presidente do Conselho de Qualificação, Francelino Guilherme d'Azevedo, em Quipapá, datado de 12 de junho de 1870, após a Guerra do Paraguai.

1º Quateirão do 1º Distrito: 49 alistados-

1º Quarteirão - "Meninos"........................... 07

2º " - Louçan (ou Louça).............. 15

3º " - Bananeiras................................... 07

4º " - Uruçu Boi..................................... 21

5º " - Cinzel............................................ 14

6º " - Pelada........................................... 13

7º " - Pau Ferro..................................... 12

8º " - Bananeira do Gongo................... 16

9º " - Salobro......................................... 14

10º " - Juremal.........................................12

11º " - Santa Rosa.................................. 14

12º " - Costa........................................... 07

13º " - Benedicto................................... 07

14º " - Imbiribeira................................ 08

15º " - Areial dos Campos.................... 13

16º " - Pirangi........................................ 21

17º " - Azeitonas.................................... 06

18º " - Areia da Serrinha...................... 19

19º " - Poço Cumprido.......................... 11

TOTALIZANDO.................................. 286 Matrículas

O Distrito de São Benedito, contava com o Quarteirão da Povoação; 2º Cabeço Dantas; 3º da Cham; 4º Poço Cumprido; 5º Limão; 6º Catucá; 7º Concal; 8º Mangue; atingindo 105 pessoas matriculadas na Guarda Nacional. Todos os matriculados tinham idade acima de 24 anos e vários com 60 anos, embora a 70% fosse da faixa etária entre 45 a 55 anos.

"Termo de Abertura"

Ha de este livro servir para matrícula dos Guardas Nacionais do Serviço da Reserva alistados pelo Conselho de Qualificação e Revisão da Freguesia de Quipapá do Município de Caruaru, em virtude da Lei Nº 602 de 19 de setembro de 1850. Está por mim numerado e rubricado com o apellido (FGAzevedo) tendo no fim o Termo de Encerramento. Quipapá 12 de junho de 1870- Francelino Guilherme de Azevedo - Major-Presidente."

Quipapá fazia parte da Freguesia de Altinho, quando a Lei Nº 432, de 23 de junho de 1857, veio elevá-la à idênticos foros; portanto, a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Quipapá, foi criada nesta data, mas extinta pela Lei Nº 508, de 29 de maio de 1861, tendo a sua restauração pela Lei Nº 791, de 2 de junho de 1866. As prerrogativas perdidas haviam sido anexadas à Freguesia das Panelas, Pernambuco.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

FRAGMENTOS DA HISTÓRIA DE QUIPAPÁ - 01

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Quando iniciamos pesquisas diversas objetivando escrever, como escrevemos e conseguimos publicar, a "História de Panelas - Terra dos Cabanos", isto na década de 70 do Século pretérito, e com a publicação do livro em 1980, tivemos a oportunidade de coletar muitos documentos com dados históricos ainda não divulgados e possivelmente inéditos, de vários municípios do Agreste e outras regiões fisiográficas de Pernambuco, e Quipapá foi um deles, ligadíssimo à Panelas, até territorialmente.


Indagamos a inúmeras pessoas bastante idosas residentes em Quipapá e Panelas sobre a origem do nome da cidade, e as informações divergiam. A Enciclopédia Nacional dos Municípios Brasileiros diz que vem de um cactus chamado quipá, que bota um fruto do qual os nativos e escravos da região se alimentavam com esse fruto quipá, que foi pela dificuldade de pronúncia e constantes pedidos, passaram a dizer quipapá, cactus não comum no território dali e sim em regiões áridas com vegetação do Nordeste, espécie de cardo rasteiro. Há quem diga que a origem provém da corruptela da palavra Quipaçá ("asilo de fugitivos" ou "refúgio de desocupados", face haver sido ali região dos Quilombos dos Palmares, e refúgio de escravos evadidos.

Quipá é também originado do tupi-guarani da família das cactáceas. Houve quem dissesse que a origem foi de uma povoação existente antigamente na África (Continente), mas precisamente perto de Angola, chamada Quipapá, e que 50 a 60% dos escravos refugiados na chamada "Guerra dos Palmares", eram originários da tribo ou aldeia de Quipapá. Resolvemos, pois, escrever para os Embaixadores do Brasil em Portugal, Angola e não obtivemos sequer uma rsposta. Solicitamos apenas para informarem através de fontes históricas se existia tal Aldeia, povo ou qualquer coisa com o nome Quipapá. Solicitamos ainda ao então Diretor da Faculdade de Fislosofia, Ciências e Letras de Caruaru, apoio na pesquisa para esclarecimento, e tendo sido pesquisado os dicionários: Lello Universal; Topográfico Histórico de Pernambuco; Vocabulário Pernambucano; Geográfico Globo; Histórico Brasileiro Globo; Etimológico Prosódico; Curiosidades; Novíssimo Dicionário da Língua Portuguesa; Caldas Aulete; Silveira Bueno; Antenor Nascente, e Aurélio Buarque de Hollanda, além das Enciclopédias Delta; Grande Delta; Delta Júnior; Barsa; Mirador; Abril Cultural; Brasileira Mérito, e fontes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nada foi encontrado das versões populares, no entanto fomos aconselhados a consultar um Dicionário de Terminologia Indígena Tupi´Guarani ou Documentário do Departamento de Documentação e Cultura de Pernambuco.

Mas deixando esse assunto de lado, vamos agora falar sobre a realização de uma eleição para Juizes de Paz para Quipapá. De conformidade com o Art. 57, da Lei de 19 de agosto de 1846 e no seu (Parágrafo) § 22 das Instruções de 28 de junho de 1849, foi realizada a eleição para Juízes de Paz de Quipapá, no dia 13 de setembro de 1864, no recinto da igreja de Bom Jesus dos Remédios, da então Vila de Panelas, cuja Mesa Receptora e Apuradora de Votos teve como Secretário Manoel Calisto de Souza e como Mesários Domingos Ferreira de Macedo, Manoel Grgório da Paixão e Cândido José Cavalcante. Após a apuração constatou-se o seguinte resultado: Domingos Ferreira de Macedo (Mesário mais votado): 501 votos; Antônio Lopes Muniz: 494 votos; Antônio Monteiro dos Santos: 492 votos; Antônio Pedro de Oliveira: 490 votos; José Alves Camello: 208 votos; Claudino José de Mello: 206 votos: Francisco Gomes da Silva Neri: 203 votos; Balbino José da Silva: 201 votos; José Maurício de Araújo: 09 votos; Lourenço de Albuquerque Maranhão Loloia: 08 votos; Manoel João de Souza: 03 votos; Manoel de Siqueira Passos: 02 votos; e Miguel Felippe Ribeiro: 02 votos.

Foram eleitos os quatro (4) mais votados para o cargo de Juiz de Paz de Quipapá, Província de Pernambuco.

MARCOS MOURA NA COPA DO MUNDO DE 1990














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O ex-Vereador e emérito radialista, Bacharel MARCOS MOURA, caruaruense de boa cepa, o conheci no tempo da então Rádio Difusora de Caruaru, e tive melhor aproximação quando o mesmo exercia o mandato de Vereador por Caruaru e eu era o Secretário Administrativo da mesma Câmara Municipal. Tornou-se um bom amigo até os dias atuais, a quem tenho destacada e especial atenção. Viajamos muitas vezes pelo Brasil afora partipando de Congressos de Vereadores, mas Marcos Moura viajava também para o exterior fazendo transmissões de jogos de futebol e as vezes também como turista, conhecendo o Mundo. Quando se encontrava em Roma em 1990 e nessa época se realizava alí a Copa do Mundo de Futebol, ele me enviou um Cartão Postal que o tenho guardado com carinho e que agora o reproduzo nesta postagem como um gesto de gratidão pela atenção sempre dispensada ao amigo que sou dele. Marcos Moura é uma ser humano fora de série.

10 ANOS SEM JOÃO LYRA FILHO




Faleceu no dia 16 de novembro de 1999 (ontem,16.11.2009 fez 10 anos) o inesquecível político e ser humano por excelência : JOÃO LYRA FILHO.


João Lyra (pai) contava com 86 anos de idade, tendo nascido no dia 12 de março de 1913. Foi Prefeito, Deputado Estadul e Deputado Federal, mas sempre um homem humilde e honesto a toda prova. Respeitado até pelos mais ferrenhos adversdários políticos, a exemplo de Drayton Nejaim que ao se referir a sua pessoa dizia que "Janoca" (era este o tratamento que lhe dava e que era também do seu pai) é um homem de bem". Ontem dia 16 de novembro de 2009 completou 10 anos de sua ausência física, mas certamente permanece a sua presença espiritual, porque João Lyra Filho amava demais Caruaru e sua gente. Merece ser lembrado. Que Deus o tenha na Mansão dos Justos.

DUDU QUEIROZ UM PREFEITO RESPONSÁVEL








No dia 18 de dezembro de 1965, há precisamente 44 anos atrás, o JORNAL DO COMMERCIO do Recife, publicava no seu SUPLEMENTO DO INTERIOR, a 4ª Entrevista da série que vínhamos fazendo sobre "PERSONALIDADES DO BREJO", sendo esta sobre a pessoa do ex-Prefeito do Brejo da Madre de Deus, Sr. José Batista de Queiroz Sobrinho, carinhosamente chamado por "Dudu Queiroz".
Para fazermos esta Entrevista tivemos de nos deslocar até à "Fazenda Juá" de propriedade do entrevistado. Mantivemos o seguinte diálogo:


P--- desejo saber inicialmente onde nasceu, quando, e qual a sua filiação?


R--- Nasci na "Fazenda Juá", aqui no Brejo da Madre de Deus, no dia 16 de julho de 1898, sendo filho legítimo de Fortunato Batista de Queiroz e de Joaquina Teodolina de Queiroz.


P--- Onde estudou o Curso Primário?


R--- Estudei com a Professora Luiza Leopoldina Lopes, paga pelo meu saudoso pai, para ensinar a mim e a meus irmãos.


P--- Como iniciou a sua vida e qual ramo tomou?


R--- Iniciei trabalhando no campo juntamente com meu pai, cuidando do gado e da agricultura. Depois negociei em sociedade com Sebastião Campos, no ramo de vender tecidos no varejo, tendo após a morte do meu pai, voltado para a "Fazenda Juá", onde vivo até hoje.


P--- Que cargo chegou a ocupar no Brejo, além de Delegado de Polícia, nos tempos do cangaceirismo?


R--- No ano de 1947, fui eleito Prefeito do Município, num pleito renhido e bem disputado, tendo concorrido com dois candidatos fortes, Abílio Telmo da Rocha Barros e Benedito de Souza Dantas, ambos já felecidos.


P--- Que fez no Brejo à fente da Prefeitura?


R--- O setor que mais ataquei, foi o de abrir novas estradas, por todo o município, sendo as principais as de Santa Cruz do Capibaribe com o Brejo; Tabocas, Mandaçaia, Jataúba, indo até os limites com o Estado da Paraíba. Dotei o Brejo de luz elétrica, tendo para esse fim adquirido um possante grupo eletrogênico. Instalei também um Motor potente para fornecer energia elétrica em Jataúba. Construí uma "Cacimba Pública" na cidade do Brejo. Fiz a muralha que contorna a Co-Matriz de Nossa Senhora do Bom Conselho. Construí o Cemitério de Fazenda Nova, como também, o Açougue Público, a Casa do Município, ainda em Fazenda Nova. Comprei a casa que serve atualmente de residência oficial do Prefeito, entre outras coisas que não me foi possível lembrar.


P--- Sr. Dudu, na sua gestão como Prefeito Municipal, quais as obras que mais lhe davam prazer?


R--- A abertura de novas estradas, cortando todo o Município, e trazendo mais divisas para o Brejo. Como Prefeito tudo fiz para inclementar o desenvolvimento do Brejo, através do Setor Rodoviário.


P--- No seu modo de ver, quais as obras mais necessárias ao Brejo, no momento?


R--- Um Ginásio e uma Maternidade, embora precise também de Abastecimento de Água canalizada e melhores estradas.


P--- Quantos irmãos vivos tem o senhor?


R--- Tenho 7 vivos que são: Petronila, Inêz, Eugênia e Maria José que residem no Recife; Alice que vive no Rio; Adamastor em Aracaju, e Jeferson que mora aqui no Brejo.


P--- Finalizando, gostaria de saber que diz o senhor a respeito da presente situação nacional, uma vez que o senhor é um homem que militou por vários anos na política partidária?


R--- Em referência à situação do Brasil, presentemente, acho que a nossa salvação foi a Revolução de 31 de Março, pois sem ela estaríamos no caos. Infelizmente a mesma ainda não chegou a atingir totalmente os maus brasileiros, mas que por certo atingirá, uma vez que não parou, mas pelo contrário, revigorou suas forças com o Ato Nº 2.


O nosso entrevistado era sem dúvidas uma figura proeminente no cenário político e social do Brejo da Madre de Deus, respeitados por todos, indistintamente, e de fato uma Personalidade, no entanto não sabia que a "Revolução" que elogiou, no futuro cassou cruelmente o mandato seu sobrinho o então Senador Wilson de Queiroz Campos.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

MINISTRO DA JUSTIÇA FERNANDO LYRA - 1985

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Achei por bem transcrever em nosso Blog o artigo do então Ministro da Justiça Fernando Lyra, publicado no jornal EDIÇÃO DOCUMENTO - Ministério da Justiça - Março/Dezembro de 1985. Trata-se de um jornal onde se registram as inovações desenvolvidas no início da Nova República pelo Ministério da Justiça do Brasil, na gestão democrática do memorável Ministro de Tancredo Neves e José Sarney, e também de Caruaru e Pernambuco, que foi Fernando Lyra.


“Nossa proposta: MUDAR

A minha escolha para o Ministério da Justiça devo-a ao inesquecível presidente Tancredo Neves. A ratificação da escolha, pelo Presidente José Sarney, é para mim motivo de orgulho: o presidente cresceu na minha admiração e no meu respeito, pela sua inabalável fidelidade aos compromissos da Aliança Democrática.

Os compromissos assumidos por Tancredo, o presidente Sarney fez decididamente seus, colocando em prática sagrada a promessa contida na frase famosa: ---“Seu sonho será o nosso sonho”.

O Ministério da Justiça tem procurado ser uma trincheira digna dos ideais da Nova República, contribuindo para consolidar a transição que iniciamos, sob liderança de Tancredo, rumo a uma democracia duradoura.

Uma das primeira atitudes que tomei, ao me defrontar com o desafio de implantar uma NOVA JUSTIÇA no Brasil, foi colocar-me não como ministro de Estado, mas na posição de qualquer outro cidadão. A partir daí, pude visualizar a credibilidade necessária às instituições públicas, sobretudo à Justiça.

Assim, como cidadão, percebi que o único caminho viável para conferir credibilidade à Justiça do meu país seria começar por limpar e remover, o máximo possível, tudo que pudesse ser considerado resquício de autoritarismo. Ao mesmo tempo, ocupei-me em formular uma nova proposta de convivência, a mais transparente possível, entre governantes e governados.

Para proceder a essas mudanças, a minha equipe de trabalho e eu tivemos que estabelecer como método de trabalho, três itens básicos:

1) No que se refere às alterações na legislação existente;

2) no que se refere às novas rotinas de trabalho com a comunidade;

3) às novas relações, como conseqüência da nova base legal.

Quanto à legislação existente, deparamo-nos com grandes dificuldades. A existência, por exemplo, de 42.887 textos legais, predominando conflitos de leis, leis ininteligíveis, leis em desuso. Enfim, uma verdadeira parafernália legal. Conseguimos reduzir um pouco essas leis, mas não ainda o suficiente para torná-las o mais próximo do ideal que queremos alcançar.

Determinamos que se procedesse às revisões indispensáveis, sobretudo visando a, como disse antes, eliminar o autoritarismo. Nesse sentido, estabelecemos três fases distintas. A primeira delas diz respeito a toda reforma legislativa que pretendemos encaminhar ao Congresso até o dia 1º de março de 1986.

Isso importará numa revisão da Lei de Segurança Nacional e também de toda a legislação sobre informações, abrangendo a Lei de censura, a Lei de Imprensa e a criação de uma nova lei, que garantirá aos cidadãos o direito a ter acesso às informações. Serão encaminhadas igualmente a reforma do Código de Processo Civil, uma nova lei sobre sociedade por cotas, uma lei que trata da empresa individual de responsabilidade limitada, uma lei que simplifica a práticas contábeis, uma lei de repressão aos abusos do poder econômico, uma lei de simplificação do registro de firmas e a nova lei de usucapião urbano especial.

A segunda fase, que começa a partir de 1º de março de 86, deve estar concluída ate o fim do ano. Nesse período, deverão ser reformadas as leis de falências e concordatas, a de desapropriação, a reforma do Código Penal (parte geral e especial), a lei de execuções pelais, a lei do Processo Penal, a lei de preservação da natureza e outras mais.

Finalmente, na terceira fase, estará a Constituinte.

A nova postura que adotamos no Ministério da Justiça (segundo item básico do nosso trabalho) foi no sentido de escancarar todas as portas. A todo cidadão é garantido o pleno direito a ter acesso a qualquer setor do Ministério. A ele são garantidas todas as orientações e informações que estiverem a nosso alcance.

A imprensa tem sido uma grande beneficiária e testemunha dessa nova postura.

Hoje, qualquer jornalista tem livre acesso à nossos gabinetes, numa conversa franca, aberta, leal. A comunidade como um todo, tem podido usufruir dessa nova determinação. Não acreditamos em democracia onde as informações permaneçam trancadas a sete chaves, sem que a sociedade tenha conhecimento das principais decisões que lhe dizem respeito. Estamos no Ministério para servir, e não para sermos servidos ou nos servirmos do poder.

Finalmente, o último item básico do nosso trabalho diz respeito às novas relações que emergirão da nova base legal. Assim não usamos, em nenhum momento, a atual Lei de Segurança Nacional, e utilizamos o mais restritivamente possível a Lei de Censura. Não determinamos nenhuma prisão por motivo de greve.

Não usamos as forças federais para reprimir conflitos sociais, mesmo quando, aparentemente, aos nossos olhos, as decisões judiciais tenham parecido injustas. A nossa bandeira é o respeito ao Judiciário, em qualquer circunstância, pois ele é, em qualquer país, a sentinela da ordem democrática. Nele temos de confiar e garantir a todo cidadão o acesso a qualquer recurso permitido pela ordem jurídica.

Sempre disse e continuo afirmando que mais grave do que o autoritarismo são as suas seqüelas.

Temos de mudar atitudes e comportamentos, pois não nos adianta ter as leis mais perfeitas do mundo, se não estivermos mais educados e preparados para exercer os direitos e obrigações que elas nos asseguram.

É preciso mudarmos a mentalidade de administrados e administradores.

Em 1986, espero dar seqüência a esse trabalho de abertura, consolidando o ideal que Tancredo Neves preconizou e que o presidente José Sarney, com determinação, firmeza e sabedoria, vem levando adiante.

Considerar-me-ei recompensado por ter cumprido esse meu dever de cidadão, e de ministro que se colocou a serviço do povo.
FERNANDO LYRA- Ministro da Justiça."

Nota: estivemos em Brasília-DF no ano de 1985 partiipando como Assessor Legislativo e Secretário Administrativo da Câmara de Caruaru, de um Congresso Nacional de Vereadores promovido pela UVB - União dos Vereadores do Brasil, e juntamente com os Vereadores caruaruenses fizemos uma visita ao Ministério da Justiça para cumprimentar o Ministro Fernando Lyra, e em lá chegando fomos recebidos fraternalmente, a exemplo de outros Vereadores que alí se encontravam oriundos de Municípios diversos. Respirávamos um novo ar, a liberdade democrática se fazia presente. Tive a honra em dado momento, do Ministro Fernando Lyra que esbanjava felicidade, de ser convidado pelo mesmo para ver o tal "telefone vermelho" que recebia chamadas exclusiva do Presidente da República, e só recebia, não ligava para o Presidente. Comigo vários outros Vereadores presenciaram esse fato, que embora pareça simples, mas é histórico. Depois o Ministro Fernando Lyra nos convidou para que juntamente com os Vereadores de Caruaru fôssemos à noite jantar em seu apartamento residencial, incluindo os Vereadores que em Caruaru lhes faziam oposição, a exemplo dos Vereadores José Lopes e Gilberto Galindo (de saudosas memórias) e os mesmos ao ser convidados ficaram pensando que era brincadeira tal convite, mas expliquei que o Ministro mandaria nos apanhar no Hotel, e assim aconteceu e fomos todos.Lá no apartamento estavam altas autoridades da Maçonaria do Brasil, e fomos recebidos pela anfitriã e esposa do Ministro, Dra. Márcia Lyra, fidalgamente. Foi um acontecimento inesquecível. Estamos relatando este fato tão somente para ratificar as palavras do Ministro Fernando Lyra no seu artigo acima transcrito, de fato as portas do Ministério foram abertas ao povo e a democracia se fazia presente. Uma verdade verdadeira.